Tenho parkinson e agora?

Receber o diagnóstico de Doença de Parkinson pode ser impactante inicialmente, mas  a compreensão e aceitação da doença é caminho para um tratamento adequado e eficaz. Atualmente, há diversas medicações, que em conjunto com uma atuação multidisciplinar com o acompanhamento de fisioterapia, psicologia, terapia ocupacional, nutrição, fonoaudiologia, são capazes de levar o paciente portador de Parkinson a ter uma plena qualidade de vida. 

Importante é ter noção desde o início, de que a Doença de Parkinson não é só tremor! Ao contrário, existem pessoas com Parkinson, que não tem qualquer tremor. Assim, tem que se entender toda a complexidade e gama de sintomas envolvidos. 

Os sintomas motores (que envolve o movimento dos braços e pernas), se manifestam principalmente através da lentidão do movimento. Os pacientes começam a se movimentar de forma mais devagar, até a voz pode mudar, tornando-se mais baixa e o andar fica mais lento. Tremor muitas vezes está presente, claro, mas geralmente é um tremor presente somente quando o indivíduo está parado, quieto e distraído, que diminui ao se movimentar. 

Mas outros sintomas quase sempre vão existir simultaneamente. Desde sintomas mais simples, como um intestino mais preguiçoso (constipação), transtornos de ansiedade, depressão, distúrbios de sono, tonturas e quedas. Frequentemente esses sintomas incomodam o paciente mais que os sintomas motores, principalmente no início da doença.

Em algum momento da doença, o paciente pode apresentar também dores em membros, esquecimentos, alucinações, alterações no comportamento. Alguns pacientes podem ficar mais bravos, nervosos e agitados. Muitas vezes com idéias fixas, paranóias e até agressivos. Estes sintomas também são tratáveis e atualmente dispõe-se de vários medicamentos, cuja resposta depende de paciente para paciente.

Com a evolução da doença pode ocorrer dificuldade para se alimentar (disfagia), com engasgos frequentes, podendo levar a pneumonias de repetição, emagrecimentos e outros distúrbios alimentares.

As infecções como pneumonias, infecções urinárias e aparecimento de úlceras (machucados no corpo), são grandes problemas nos estágios mais avançados da doença e devem ser motivo de atenção continuamente.

À medida que a doença progride (ao longo dos anos), o paciente pode apresentar piora dos sintomas, motivo este que torna fundamental o acompanhamento regular com o neurologista, para que o tratamento possa ser constantemente reavaliado e os ajustes necessários nos medicamentos sejam feitos periodicamente.

Existem vários medicamentos para Doença de Parkinson. O medicamento central do tratamento é a Levodopa, que se encontra disponível através de nomes comerciais como Prolopa, Carbidopa, Ekson, dentre outros. Este medicamento tem a função de repor a dopamina que está deixando de ser produzida nos neurônios.

Como a Levodopa não dura muito tempo no corpo, sempre tem que ser tomada várias vezes ao dia (em média 3 a 5 vezes por dia), em doses a serem ajustadas pelo médico e adequada de acordo com o estágio da doença. A absorção da Levodopa também pode ser alterada pela alimentação, por isso os medicamentos para a Doença de Parkinson tem que ser tomados em jejum e afastados das refeições.

Existem diversos outros medicamentos, que geralmente são utilizados associados, de forma conjunta à Levodopa, todos com objetivo de elevar a dopamina circulante no corpo. Cada medicamento pode ter efeitos adversos também, assim o seguimento com o médico especialista é fundamental para poder diferenciar se determinado sintoma é da doença propriamente ou se é o medicamento que está interferindo em algo a mais!

Assim, é de suma importância uma boa relação com o médico especialista, para que se possa adequar o tratamento à medida que a doença progride, a fim de garantir um tratamento específico e eficaz para cada paciente.

© 2019 Dr. Gustavo L. Franklin - 

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Neurologia
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